VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, um perigo silencioso

 

O Brasil ocupa hoje o quinto lugar no ranking de países em mortes violentas de mulheres no mundo. Refletindo sobre as histórias de violência doméstica, podemos observar que num primeiro momento em que as mulheres não tinham voz, não trabalhavam fora, precisavam cuidar da casa e dos filhos e deviam obediência aos seus maridos, a violência ocorria, mas era vista como “normal”. A violência contra a mulher sempre esteve presente, desde os primórdios, porém, com o passar do tempo e com as mudanças no comportamento feminino, observamos um aumento de casos de violência que são relatados e denunciados. Para transitar pelo caminho da violência doméstica no cenário familiar – que é o objeto desta reflexão– faz-se necessário compreendermos o que é violência e o conceito de família.

A violência pode ser definida como “um ato de constrangimento físico ou moral pelo uso da força ou coação contra alguém” (MUSZKAT & MUSZKAT, 2009). A família é o primeiro núcleo do indivíduo e é através dele que que se transmite valores, costumes, crenças, hábitos, enfim onde se forma a visão de mundo. De acordo com Kertész et. al (1974), a visão de mundo é a forma que olhamos para nós, para o mundo e para a vida e de acordo com essa visão vamos estabelecer o nosso contato e a forma como resolvemos nossos conflitos e como nos relacionamos conosco, com as outras pessoas e com a vida.

A partir desse viés de Kértesz, podemos compreender que aqueles indivíduos que estabelecem uma posição de vida na qual acreditam que são superiores, podem demonstrar comportamentos e atitudes arrogantes e podem assumir um papel de perpetradores no triângulo dramático. Da mesma forma ao encontrarem pessoas que estão numa posição na qual sentem-se inferiores, encontram parceiros para uma complementariedade e assumem o papel de vítimas.  A violência doméstica é um jogo psicológico no qual o desfecho pode ter resultados dramáticos.

Mesmo que hoje a temática da violência doméstica seja uma das mais discutidas, se faz necessário esclarecer que existem cinco tipos de violência: 1) a física que consiste em espancar, sufocar, mutilar, usar armas;

2)  a violência psicológica que é constituída de xingamentos, perseguição, chantagens, faz a vítima acreditar que é fraca, incapaz, incompetente e que não serve para nada;

3)violência sexual que consiste em obrigar a ter relações sexuais, forçar a engravidar ou a abortar;

4) violência patrimonial, neste tipo de violência, o perpetrador controla o dinheiro, pode estragar os bens importantes para a vítima e por último

5) a violência moral que é compreendida como atos de humilhação, exposição de intimidade frente a outros.

Nesses cinco tipos de violência vale observar que não se trata somente de agressão, mas sim atos que podem levar à morte. A violência doméstica está presente em diferentes classes econômicas, e em sua maioria se dá contra mulheres, mas também pode ocorrer contra crianças, homens e idosos. Aqui nosso foco será a violência doméstica no âmbito da família, mais especificamente nas relações de casais.

Ainda hoje, quando se fala em violência doméstica, parece existir uma tendência a desqualificar os sentimentos e negar sua importância no contexto familiar. Em algumas situações um empurrão, uma fala grosseira que diminui ou desqualifica a mulher, por vezes é visto como “brincadeira” ou como natural num relacionamento de casal, quando na verdade pode ser o começo de uma situação perigosa.

Conheço mulheres que se sentem aniquiladas, por ouvirem constantemente de seus parceiros, que elas não bonitas, que não são inteligentes, que não fazem nada certo. E quanto mais tempo se submetem a essas agressões, mais a autoestima diminui e elas acreditam que não são capazes.

Os sentimentos tornam-se muito negativos e é preciso buscar ajuda, para trilhar um novo caminho.

Na abordagem da Análise Transacional na visão sistêmica, podemos analisar os jogos psicológicos e aprofundar no autoconhecimento, para compreender o que levou a esse relacionamento.

A psicoterapia é uma forma de perceber sua dinâmica na relação e encontrar novas alternativas para uma vida mais saudável.

 

Maria do Carmo Schmidt

Psicoterapeuta

CRP 08/02360